O Leminksi é o cara pras horas nenhuma, aquela hora do nada. É como Beatles: não sabe o que ouvir, toca Beatles que não dá erro. Não sabe o que ler? Abre um Leminski em qualquer página e o efeito é o mesmo. O bandido, na verdade, sabia muito mais do que latim. Sabia das coisas, escondido naquele indefectível bigodão.
Embriague-se e leia Leminski e tudo estará resolvido. Embriague-se das palavras concretas do bandido. “Saio da embriaguez de viver para o sonho de outras esferas”, escreveu ele pouco antes do último sopro de vida. Não tinha pressa pra nada, nem pra fazer um poema. Portanto, também não tenho pressa, apresso-me apenas para me embriagar das palavras, como ele, que escrevia e pronto.
Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?
Hoje bebi Leminski até me embriagar. Estou engasgado com seus poemas e por isso preciso de um café forte que me conforte, que me deixe forte para que, com sorte, encontre não a morte, mas a sorte. A sorte de uma palavra descoberta numa página qualquer de uma noite qualquer sem nenhuma palavra. Sem palavra como esse blog que vos fala, pois já estou tonto como o Bandido. E estou pronto, porque escrevi. Escrevo. E pronto.
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