Num canto qualquer da vida, esconde-se a alma a ser
decifrada. Esconde-se a alma a ser lida, transcrita em atos, tatos e contatos.
Num canto qualquer da vida, está o encontro das almas ainda a serem decifradas.
Num canto qualquer da vida, a lua brilha em atmosfera fosfórica como dizia o poeta
frances.
Num canto qualquer da lua,
encontra-se a vida que pulsa em ritmo alucinante. Num canto qualquer da vida, a
palavra aguarda para ser descoberta e inventada em frases complexas que
traduzem o encontro improvável da vida que pulsa com a vida que desabrocha.
Drummond dizia que não se deve brigar com a palavra. Tinha razão
o poeta, pois a palavra traduz a vida . A
palavra é atraída pela palavra, estando elas ou não em frases conexas. A conexão
com a vida está na palavra que se juntou a outra e mais outra e virou poema num canto qualquer da vida.
Num
canto qualquer do poema está a palavra dita e a não dita. Num canto qualquer da
vida está a própria vida ensolarada depois da lua que caiu. Num canto qualquer
da vida estou eu, a me decifrar sob a força das palavras.
