sábado, 1 de dezembro de 2012

Num canto qualquer da vida



Num canto qualquer da vida, esconde-se a alma a ser decifrada. Esconde-se a alma a ser lida, transcrita em atos, tatos e contatos. Num canto qualquer da vida, está o encontro das almas ainda a serem decifradas. Num canto qualquer da vida, a lua brilha em atmosfera fosfórica como dizia o poeta frances.  

Num canto qualquer da lua, encontra-se a vida  que pulsa em ritmo alucinante. Num canto qualquer da vida, a palavra aguarda para ser descoberta e inventada em frases complexas que traduzem o encontro improvável da vida que pulsa com a vida que desabrocha.

Drummond dizia que não se deve brigar com a palavra. Tinha razão o poeta, pois  a palavra traduz a vida . A palavra é atraída pela palavra, estando elas ou não em frases conexas. A conexão com a vida está na palavra que se juntou a outra e mais outra e virou poema num canto qualquer da vida. 

Num canto qualquer do poema está a palavra dita e a não dita. Num canto qualquer da vida está a própria vida ensolarada depois da lua que caiu. Num canto qualquer da vida estou eu, a me decifrar sob a força das palavras.