terça-feira, 6 de novembro de 2012

Absurdo da vida


"Também eu me sinto pronto a reviver tudo, como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que fora feliz e ainda o era, para que tudo se consumasse. Para que eu me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muitos espectadores no dia da minha execução – e que me recebessem com gritos de ódio".

A frase aí do Camus traduz um pouco essa coisa de viver, reviver, renascer, reinventar. Eita tarefa difícil, mas necessária. Afinal, vivos estamos e o sol brilha como nunca lá fora e há que se permitir invadir pelo sol, que deixará marcas a serem descobertas no íntimo toque, como sinal da vida que renasce.

Então, que venham os espectadores do Camus a assitirem a execução com seus gritos de ódio. De preferência, palavras gritadas. Ou apenas palavras.  Ao vento, talvez. Mas o vento é fraco, então as palavras tendem a cair logo ali, pertinho. Usem-nas como quiserem. Ou deixem-nas ali, bem quietinhas, a espera da ventania de verão. É o absurdo da  vida a ser descoberto.

Mais Camus: "Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim, mas apenas um começo...".

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

O lado de lá


Mortos. E se eu estivesse morto? Poderia estar agora escrevendo um blog psicografado. Poderia observar tudo lá de cima e mandar meu recado via ciberespaço. "Aqui em cima é um inferno...tô derretendo e esse diabo não pára de espetar o tridente na minha bunda", ou "isso aqui é um paraíso, e esses anjos idiotas não param de tocar essa harpa ridícula". Quem comentaria num blog psicografado? Os mortos ou os vivos? Poderia Ter links para um ou para outro. Seria interessante essa troca de experiências inter...inter...inter o quê mesmo? Intermundos? Que seja. Já pensou como seria? Que bobagem...é não Ter o que blogar mesmo. Azar de vocês, meus parcos visitantes.

Continuando...
Finados vem de finar, que tanto pode ser acabar, findar, como ter grande desejo, querer intensamente. É interessante essa dualidade de sentidos. Horrível mesmo é a definição de defunto: "livrar-se de, executar, cumprir, livrar-se de dívida, pagar". Até que faz sentido. E o que dizer da expressão "beber o defunto"? É horrível, mas o significado é interessante. É uma espécie de velório animado, com muita comida e bebida. No México, o Dia dos Mortos é uma das maiores celebrações. Dizem que todos cantam, comem e bebem em homenagem aos mortos. E olha só: A comida mais famosa dessa festa são caveirinhas sorridentes feitas de açúcar ou chocolate e decoradas com brilhos. Cada docinho leva o nome de um parente falecido da família.

Bom, desejo a todos os mortos, um feliz dia de finados. E não façam nada que possam se arrepender depois, quando voltarem.

Ah...a foto é de um agricultor mexicano recolhendo a flor zempoaxochitl -conhecida como a flor dos mortos, na véspera do feriado de Finados. Esta flor é da mesma família das calêndulas e dos crisântemos.