Sabe o boi ruminando? A coisa fica ali, de lá pra cá na boca do bicho por horas e horas e...nada. Segue ali, regurgitando e regurgitando.
Digo isso porque o ato de escrever, para este blogueiro que não
bloga, é mais ou menos como esse processo regurgitante e ruminante do boi. O
resultado é um blog seco, em que o pasto passou direto pelos compartimentos
estomacais bovino e virou esterco, queimando as etapas biológicas. Se bem que o
esterco transforma-se em adubo que... enfim.
Acredito definitivamente que o ato de escrever, às vezes, é uma
imposição do cérebro aos dedos para que estes dedilhem freneticamente sem parar
no alfanumérico teclado para que surjam palavras, umas ligadas às outras,
formando frases conexas, ou não. Já escrevi sobre isso aqui um milhão de
vezes, e lendo Visões de Cody, do Kerouac, comprovo minha teoria dedilhante.
Dedos no teclado do computador ou nas cordas de guitarra num riff alucinante, é
assim que o lendário escritor beat underground produzia suas palavras,
desconexas para uns, geniais para outros. É como aquele filme tido como obra
prima pelos entendidos mas considerado o próprio esterco do boi por muitos.
Aliás, esse texto está mais pro esterco do boi do que pra qualquer
coisa. Mas não desanimo, pois como disse ali no final do primeiro parágrafo, o
esterco vai virar adubo para um outro texto que já rumina neste cérebro
inquieto.
Sei que já virou clichê citar Clarice na internet, mas ela dizia
que toda palavra tem sua sombra e por isso escrevia no escuro: “ouve-me, ouve
meu silêncio. O que falo nunca é o que falo e sim outra coisa... capta essa
outra coisa de que na verdade falo porque eu mesma não posso. Leia, a energia
que está no meu silêncio”.
A linguagem sufoca o silêncio, portanto. Talvez por isso esse blog
tem ficado tanto em silêncio, exatamente para não ser sufocado. Pronto,
bloguei...regurgitei. Sinto cheiro de esterco no ar.

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