"Eu acho que não sei fechar ciclos, colocar pontos finais. Comigo são sempre vírgulas, aspas, reticências." (Caio Fernando Abreu)
Este blog anda tão sem palavras que até justifica o nome, apesar do nome não ter nada a ver com isso, e sim com o livro sem palavras da Clarice...mas a explicação até cabe nesse momento, literalmente, sem palavras, ou seja, mudo ando e mudo ficarei no aconchego da concha, pois troquei o ponto final da frase pelas reticências..., quer dizer, elas, as reticências, permitem fantasiar, divagar, continuar, sonhar... elas põem um fim ao fim-de-frase e colocam um novo recomeço logo ali, onde o ponto antes colocava um ponto-final em alguma história, mas elas, as reticências, resistem para estimular nossa criatividade e fazer parte do imaginário humano - demasiado humano como diria Nietzche....já que o simbólico "3 pontinhos" aponta para o nada e o tudo, para a sensação das infinitas possibilidades, ou para nenhuma, sim, ou, quem sabe, para o mundo de Alice ou, ainda, para os sonhos quixotescos onde todas as possibilidades são possíveis, como uma sobrancelha que levanta quando não sabe a resposta à pergunta que não foi feita...
O sempalavras tá sem respostas à falta de palavras, mas tenta respondê-las com reticências...elas, tão detestadas pela ciência que só admite conclusões e pontos finais, nada de possibilidades ou duplo sentido...não, não, aqui o sentido é duplo e o ponto, triplo... as idéias não são friamente assassinadas por um maldito ponto final, e vale a continuidade de quem passa por aqui, ou não...talvez...o que virá?...melhor ser infinito do que definitivo e pontual, assim são eles também, os sonhos, que não envelhecem segundo o Beto Guedes, pois são feitos de reticências e acontecem com a possibilidade de serem materializados, não num ponto final ou sonho final, mas em outros e outros e outros...
Eles, os três pontinhos têm até verbo no dicionário, sabiam? Reticenciar...tá lá no Aurelião: “Exprimir de modo reticente, incompleto”...a meu ver, uma fragilíssima definição, pois nada mais completo do que as reticências, que permitem a divagação, aflora a criatividade e a interatividade textual entre autor-leitor, e serve pra gente escrever sobre ela quando não se tem um assunto que leve ao ponto final, como no caso deste escrito aqui, sem fim, sem nenhum ponto, apenas três...
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