"Também eu me sinto pronto a reviver tudo, como se esta grande cólera me tivesse purificado do mal, esvaziado de esperança, diante desta noite carregada de sinais e de estrelas, eu me abria pela primeira vez à terna indiferença do mundo por senti-lo tão parecido comigo, tão fraternal, enfim, senti que fora feliz e ainda o era, para que tudo se consumasse. Para que eu me sentisse menos só, faltava-me desejar que houvesse muitos espectadores no dia da minha execução – e que me recebessem com gritos de ódio".
A frase aí do Camus traduz um pouco essa coisa de viver, reviver, renascer, reinventar. Eita tarefa difícil, mas necessária. Afinal, vivos estamos e o sol brilha como nunca lá fora e há que se permitir invadir pelo sol, que deixará marcas a serem descobertas no íntimo toque, como sinal da vida que renasce.
Então, que venham os espectadores do Camus a assitirem a execução com seus gritos de ódio. De preferência, palavras gritadas. Ou apenas palavras. Ao vento, talvez. Mas o vento é fraco, então as palavras tendem a cair logo ali, pertinho. Usem-nas como quiserem. Ou deixem-nas ali, bem quietinhas, a espera da ventania de verão. É o absurdo da vida a ser descoberto.
Mais Camus: "Constatar o absurdo da vida não pode ser um fim, mas apenas um começo...".

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